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CONTROLE RIGOROSO DE HIPERTENSÃO NÃO REDUZ EVENTOS EM DIABÉTICOS E CORONARIOPATAS


Referência: Cooper-DeHoff RM, Gong Y, Handberg EM, Bavry AA, Denardo SJ, Bakris GL, Pepine CJ. Tight blood pressure control and cardiovascular outcomes among hypertensive patients with diabetes and coronary artery disease. JAMA. 2010 Jul 7;304(1):61-8.

Fundamentos: As diretrizes de hipertensão arterial sistêmica advogam uma pressão sistólica abaixo de 130 mmHg para pacientes com diabetes mellitus (DM) e com doença arterial coronária (DAC). Este estudo procurou determinar a associação do controle da pressão sistólica e desfechos cardiovasculares em um grupo de pacientes com DM e DAC.

Métodos e Resultados: Trata-se de um estudo observacional que analisou um subgrupo (n=6400) dos 22576 participantes do ensaio INVEST (International Verapamil SR-Trandolapril Study. Foram incluídos indivíduos hipertensos portadores de DM e DAC entre setembro de 1997 e dezembro de 2000 de 862 centros de 14 países, com seguimento até agosto de 2008. Os pacientes foram categorizados de acordo com o controle da hipertensão obtido: controle rígido (pressão sistólica ficou abaixo de 130mmHg), controle usual (pressão sistólica entre 130-140mmHg) e não controlada (pressão sistólica maior ou igual a 140mmHg). A primeira linha de tratamento foi de antagonistas de cálcio ou beta bloqueadores seguidos por inibidores da ECA, diurético ou ambos. O desfecho primário foi a primeira ocorrência de óbito, infarto não fatal e acidente vascular encefálico (AVE) não fatal.
Pacientes com controle usual tiveram menor freqüência de eventos cardiovasculares quando comparado o grupo não controlado (12,6% vs. 19,8%; HR 1,46; IC 95% 1,25-1,71; P=0,001). A pequena diferença de eventos entre o controle rígido e o usual não atingiu significância estatística (12,6% vs. 12,7%; HR 1,111; IC 95% 0,93-1,32; P=0,24). Para mortalidade global houve um significativo aumento no grupo com controle rígido versus o controle usual (log rank P=0,04). Após ajuste estatístico este risco se manteve elevado, apesar de não alcançar significância estatística (11% para controle rígido vs. 10,2% para controle usual, HR 1,2; IC 95% 0,99-1,45; P=0,06).

Conclusão: O controle rígido da pressão arterial sistólica entre pacientes com DM e DAC não foi associado a redução de eventos cardiovasculares quando comparado com o controle usual.

Comentários: O objetivo no tratamento da hipertensão em pacientes com DM é prevenir morbidade e mortalidade relacionadas a eventos micro e macrovasculares. Apesar das diretrizes recomendarem níveis de pressão sistólica abaixo de 130mmHg, existem poucas evidências suportando esta recomendação. Neste estudo observacional, foi demonstrado pela primeira vez que a redução da pressão sistólica para níveis inferiores a 130 mmHg em pacientes com diabetes e DAC não foi relacionada a redução de morbidade em relação à redução para níveis inferiores a 140mmHg. Neste sentido, no estudo ACCORD foram randomizados 4733 pacientes com hipertensão para um tratamento intensivo (pressão sistólica menor que 120mmHg) ou convencional (pressão sistólica < 140mmHg) para avaliar o risco de infarto não fatal, AVE não fatal e óbito cardiovascular por 4,7 anos. De forma similar não houve redução no risco de mortalidade global e cardiovascular com o controle intensivo. O ACCORD demonstrou um maior risco de AVE com o controle convencional. No protocolo ABCD (Appropriate Blood Pressure Control in Diabetes) o controle intensivo vs. moderado da pressão arterial não demonstrou associação com retinopatia e neuropatia, bem como, infarto, eventos cerebrovasculares e insuficiência cardíaca. Por outro lado, o estudo HOT demonstrou que um controle mais rígido da pressão diastólica (< 80mmHg) promoveu redução de eventos adversos, apesar de não ser realizada análise de subgrupo para diabetes e a DAC só estar presente em 6% dos casos. Finalmente, vale ressaltar que este estudo é uma análise observacional realizada retrospectivamente em um estudo clínico controlado, randomizado, sendo portanto, uma limitação metodológica.

Revisor: Carlos A. Campos
Email: cm-campos@uol.com.br

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Última 16.07.2010, por Websaúde
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