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Correlação entre testes de reatividade plaquetária e ocorrência de eventos clínicos

Referência: Breet NJ, van Werkum JW, Bouman HJ, Kelder JC, Ruven HJ, Bal ET, Deneer VH, Harmsze AM, van der Heyden JA, Rensing BJ, Suttorp MJ, Hackeng CM, ten Berg JM. Comparison of platelet function tests in predicting clinical outcome in patients undergoing coronary stent implantation. JAMA. 2010 Feb 24;303(8):754-62.

Fundamentos: A resposta dos pacientes à terapia antiplaquetária não ocorre de forma uniforme e existem dados demonstrando correlação de alta reatividade plaquetária e eventos aterotrombóticos após implante de stents coronários , apesar da terapia antiplaquetária dupla. A principal limitação destes estudos é a utilização, na maioria das vezes, de somente um teste de reatividade plaquetária em populações relativamente pequenas, sem um consenso atual de qual o método mais apropriado para testar a função plaquetária.

Métodos e Resultados: Pacientes consecutivos com doença arterial coronária estabelecida submetidos à intervenção coronária percutânea com implante de stent, recebendo terapia antiplaquetária dupla (AAS e clopidogrel) foram incluídos no estudo POPULAR (Do Platelet Function Assays Predict Clinical Outcomes in Clopidogrel- Pretreated Patients Undergoing Elective PCI). Os pacientes foram seguidos para observar a ocorrência de óbito, infarto não fatal, trombose de stent (definição ARC) e acidente vascular encefálico isquêmico. Os desfechos de segurança foram a ocorrência de sangramento maior e sangramento menor (TIMI). Desta forma, seis testes de agregação plaquetária foram avaliados para verificar qual teria melhor correlação com a ocorrência de eventos:

  • Agregometria por transmição de luz (ATL): pico de resposta a 5  μmol/L ADP (n = 1,049) ou 20 μmol/L ADP (n = 1,051)
  • VerifyNow P2Y12 (n = 1,052)
  • Plateletworks (n = 606)
  • Impact-R (n = 910)
  • PFA-100 system (n = 812)
  • Innovance PFA P2Y (n = 588)


  • Um total de 1069 indivíduos foram incluídos, com idade média de 64 anos sendo 75% do sexo masculino, 76% eram hipertensos e 18% portadores de diabetes mellitus.
    Ao final de 1 ano de seguimento, três testes foram relacionados a eventos isquêmicos quanto detectaram elevada reatividade plaquetária: agregometria por transmissão de luz, VerifyNow P2Y12 e Plateletworks (ver Figura 1). Em contraste, os sistemas IMPACT-R, IMPACT-R ADP, PFA-100 e INNOVANCE PFA P2Y não demonstraram esta correlação, com base na reatividade plaquetária. Uma segunda análise demonstrou que nenhum dos testes realizados foi capaz de identificar os pacientes com maior probabilidade de eventos hemorrágicos.



    Discussão
    : A atividade plaquetaria elevada quando determinada pela agregometria induzida por luz, VerifyNow P2Y12 e Plateletworks foram, significativamente associados a eventos aterotrombóticos. Todos estes testes baseiam-se em medidas de agregação plaquetária, sendo que, destes, os dois ensaios de ATL são laboratoriais, necessitando de técnicos treinados, e são trabalhosos. Em contraste, tanto o VerifyNow, quanto o Plateletworks, são de mais fácil execução por serem realizados à beira do leito. Por outro lado, os testes que não se mostraram preditivos – os sistemas IMPACT-R e PFA – utilizaram adesão plaquetária e/ou estresse de cisalhamento para mensurar a atividade das plaquetas. Ainda não está clara qual é a melhor estratégia para lidar com alguém que apresente elevada reatividade durante o tratamento. Alguns autores recomendam dose dobrada de manutenção de clopidogrel enquanto que outros indicam adição de cilostazol. Outra alternativa seria a utilização do prasugrel. As diretrizes mais recentes de AHA/ACC/SCAI recomendam testar a resposta ao clopidogrel em pacientes de alto risco para trombose de stent, mas elas não recomendam nenhum teste em detrimento de outro. Ensaios randomizados avaliando diferentes regimes terapêuticos guiados por testes adequados de agregação plaquetária (ex.: GRAVITAS, DANTE, ARTIC, TRIGGER-PCI) poderão revelar se regimes antiplaquetários individualizados, baseados na função plaquetária, serão capazes de reduzir desfechos.

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    Revisor: Carlos Campos
    Email: cm-campos@uol.com.br

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    Última 04.03.2010, por Websaúde
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