Enoxaparina na Angioplastia Primária e Facilitada.
Enoxaparin in Primary and Facilitated Percutaneous Coronary Intervention:
A Formal Prospective Nonrandomized Substudy of the FINESSE Trial
(Facilitated INtervention with Enhanced Reperfusion Speed to Stop Events)
Autores: Gilles Montalescot, Stephen G. Ellis, Mark A. de Belder, Luc Janssens, Olivier Katz, Wladyslaw Pluta, Patrick Ecollan, Michal Tendera, Ad J. van Boven, Petr Widimsky, Henning R. Andersen, Amadeo Betriu, Paul Armstrong, Bruce R. Brodie, Howard C. Herrmann, Franz-Josef Neumann, Mark B. Effron, Jiandong Lu, Elliot S. Barnathan, Eric J. Topol, on behalf of the FINESSE Investigators.
Introdução: a heparina não fracionada (HNF) é o único anticoagulante recomendado no tratamento do IAMSST. Quando comparada com a HNF, a enoxaparina apresenta resposta mais estável e previsível eliminando a necessidade de controle da anticoagulação, menor afinidade ao plasma e as proteínas teciduais, e uma maior relação anti-Xa / anti-IIa, resultando em uma menor geração e ativação da trombina. Além destas vantagens, a enoxaparina reduz a ativação plaquetária, a liberação do fator de Von Willebrand e da inflamação. Este fármaco foi avaliado em 13 estudos randomizados de ACTP eletiva vs. HNF e demonstrou significativa redução na taxa de sgtos maiores. Apesar de haver superioridade da enoxaparina nos pctes com IAMSST que receberam trombolíticos, a utilização deste fármaco na ACTP primária é limitada a pequenos estudos observacionais ou séries de pctes. No recente estudo multicêntrico, FINESSE, que comparou a eficácia da ACTP facilitada com abciximab vs. abciximab associada a reteplase demonstrou-se um maior risco para o desenvolvimento de hemorragia maior e ausência de benefício na diminuição de ECVM em 90 dias. Neste subestudo agora discutido foi avaliada a utilização da enoxaparina vs. HNF durante à ACTP primária.
Métodos e Resultados: 2452 pctes com IAMSST com até 6 horas de evolução (enoxaparina 759 vs. 1693 HNF) foram randomizados para receber HNF (40U/kg, TCA 200 a 250) ou enoxaparina (0.5 mg/kg IV + 0.3mg/kg SC). Os desfechos primários avaliados foram: sgto não intracraniano (classificação de TIMI) e sgto intracraniano; e os desfechos secundários: morte todas as causas + complicações do IAM em 90 dias, complicações do IAM após 90 dias e morte após 90 dias. No grupo que recebeu enoxaparina observou-se significativamente mais IAM killip > 1, pctes tabagistas e DPOC. No grupo da HNF obteve-se um maior número de pctes com DM, HAS e um maior tempo desde o início dos sintomas e tempo prota-balão. Sgto não intracraniano maior foi menos observado no grupo que recebeu enoxaparina (2.6% vs. 4.4%, RC 0.55; IC 95%0.31 a 0.99, p = 0.045). Entretanto, sgto não intracraniano menor foi mais comum neste mesmo grupo, o que determinou taxas semelhantes de sgtos não intracranianos maiores e menores ( p = 0.334). O sgto intracraniano foi semelhante entre os grupos (0.27% vs. 0.24%). Para os pctes com idade > 75 anos observou-se uma menor tendência ao desenvolvimento de sgto quando utilizada enoxaparina (11.7% vs. 20.1%, p = 0.067). Mortalidade por todas as causas em até 90 dias foi menor no grupo que recebeu enoxaparina (3.8% vs. 5.6%, p = 0.046). A combinação dos desfechos morte e re-IAM em até 30 dias também foi menor no grupo da enoxaparina ( 4% vs. 5.6%, p = 0.036). A utilização deste fármaco determina uma redução de 3.5% no risco de desenvolvimento de morte, IAM, necessidade de revascularização urgente ou AVC em até 90 dias.
Conclusão e Comentários: a utilização de enoxaparina determina um menor risco para o desenvolvimento de sgto não-intracraniano maior e eventos isquêmicos nos pctes com IAMSST tratados com ACTP primária. Os resultados deste estudos em redução de 30% dos desfechos mortalidade e IAM são comparáveis aos do estudo ExTRACT-PCI e do registro ACOS (23% e 31%) , ambos envolvendo pctes com IAMSST. Estes achados parecem estar relacionados as propriedades farmacológicas e aos efeitos pleiotrópicos desta droga. Apesar de se tratar de um estudo multicêntrico e com grande número de pctes, alguns fatores importantes devem ser considerados, principalmente o fato de não se tratar de um estudo randomizado e com pré-determinação do regime utilizado conforme local de inclusão, além de ser uma sub-análise de uma intervenção também envolvendo drogas antiagregantes e anticoagulantes que podem alterar a ação dos fármacos analisados. Novos estudos randomizados devem ser realizados a fim de determinar a melhor estratégia de anticoagulação nos pctes com IAMSST.
Revisor: André Manica
Email: de_manica@yahoo.com.br
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