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REGISTRO EUROTRANSFER: UTILIZAÇÃO PRECOCE DE ABCIXIMAB REDUZ MORTALIDADE NO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO
Referência: European registry on patients with ST-elevation myocardial infarction transferred for mechanical reperfusion with a special focus on early administration of abciximab—EUROTRANSFER Registry. Dariusz Dudek, FESC, Zbigniew Siudak, Magnus Janzon, Ralf Birkemeyer, Guillermo Aldama-Lopez, Corrado Lettieri, Bogdan Janus, Andrzej Wisniewski, Sergio Berti,Zoran Olivari, Tomasz Rakowski, Lukasz Partyka,Jochen Goedicke, MD, and Krzysztof Zmudka EUROTRANSFER Registry investigators. Am Heart J 2008;156:1147-54.
Fundamentos: O tratamento farmacológico antes da angioplastia primária é um conceito atraente principalmente quando há a necessidade de remoção do paciente. Este registro buscou avaliar, no cotidiano de grandes centros de transferência de pacientes, o resultado dos estudos randomizados.
Métodos: Este estudo avaliou, no perído de 2005 a 2007, pacientes consecutivos de 15 centros, de 7 países europeus, que necessitaram transferência para hospital de referência. Para comparação dos desfechos a amostra foi dividida em 2 grupos:
- Abciximab precoce: pacientes que receberam abciximab por no mínimo 30 minutos antes da angiografia coronária.
- Abciximab tardio: pacientes que receberam a medicação por menos de 30 minutos antes ou durante intervenção.
Resultados: 1086 pacientes foram incluídos nesta análise, sendo 727pacientes no grupo precoce e 359 no grupo tardio. As características clínicas foram semelhantes entre os grupos, exceto pela maior presença, no grupo tardio, de insuficiência renal (3,6% vs. 1,7%; p=0,042), com uma freqüência cardíaca 2 bpm maior. Um achado que pode ser considerado relacionado ao tempo do tratamento foi a maior distância percorrida pelo transporte no grupo precoce (40km vs. 25km; p<0,0001).
Os benefícios observados no grupo abciximab precoce foram: redução de óbito e óbito/infarto no período hospitalar e em 30 dias com fluxo TIMI 3 com maior freqüência antes (17,7% vs. 8,9%; p<0,0001) e depois (93,6% vs. 86,3%; p=0,001) da intervenção. Estes benefícios não foram associados a um incremento em sangramento (ver Tabela 1).
Tabela 1. Desfechos Clínicos no Tempo de Seguimento
Desfecho |
Grupo precoce
(n=727) |
Grupo Tardio
(n=359) |
p |
Período Hospitalar,%
Óbito
Reinfarto
Óbito+Reinfarto
|
2,8
0,8
3,4
|
5,9
0,8
6,4
|
0,012
0,98
0,03
|
30 dias,%
Óbito
Reinfarto
Óbito+Reinfarto
Óbito+Reinfarto+Revasc de Urgência
|
3,9
1,4
5
5,5
|
7,5
2,5
9,2
10,3
|
0,01
0,35
0,007
0,004
|
Complicações Hemorrágicas,%
Hematoma de punção
Transusão
AVC hemorrágico
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8,3
2,3
0
|
7,8
1,4
0
|
0,79
0,29
1
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Comentários: Este registro mostrou redução de eventos com a utilização precoce de abciximab no infarto agudo do miocárdio com supradesnível do segmento ST (IAM com supra). Quando comparamos os desfechos do EUROTRANSFER com registros prévios (ex.: ACOS e SCAAR), de fato, o grupo precoce teve o mais baixo índice de mortalidade hospitalar. Para o grupo tardio este desfecho foi semelhante.
Recente avaliação randomizada dos inibidores de GP IIb/IIIa neste subgrupo de pacientes tem achados, de certa forma, controversos. O estudo randomizado FINESSE que comparou angioplastia facilitada com abciximab e angioplastia primária padrão falhou demonstrar diferenças para mortalidade ou desfecho composto ao final de 90 dias. O estudo BRAVE 3 falhou demonstrar benefícios do abciximab na angioplastia primária quando utiliza-se 600mg de clopidogrel. Já o estudo On-TIME 2 mostrou redução de desfecho composto em 30 dias com utilização pré-hospitalar de tirofiban. A principal diferença entre estes estudos é a divergência entre tempo de isquemia e o início da terapêutica, onde a pronta instituição de terapia com IIb/IIIa e angioplastia coronária parecem ter os melhores resultados.
Revisor: Carlos A. Campos
E-mail: cm-campos@uol.com.br
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