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Suplementação de vitaminas C e E não exerce benefício em termos de redução de eventos cardiovasculares

Vitamins E and C in the Prevention of Cardiovascular Disease in Men: The Physicians´ Health Study II Randomized Controlled Trial

Confira ao final do artigo entrevista com Dr. Heitor Moreno

Autores: Howard Sesso; Julie Buring; Willian Christen; Tobias Kurth; Charlene Belanger; Jean MacFadyen; Vadim Bubes; JoAnn Manson; Robert Glynn; and J. Michael Gaziano

Referência: JAMA 2008; 300(18): 2123-2133

Introdução: O stress oxidativo desempenha papel importante na fisiopatologia da doença aterosclerótica. As vitaminas C e E são potentes anti-oxidantes cujas ações são sinérgicas, já que a primeira promove regeneração do acetato de tocoferol ligado aos radicais livres de oxigênio (tocoferil radical). A suplementação destas vitaminas falhou em mostrar benefícios consistentes em termos de redução de eventos cardiovasculares em estudos prévios. Apesar disso, aproximadamente 12% dos cidadãos americanos realizavam suplementação de alguma destas vitaminas em 2000. O objetivo do presente estudo foi avaliar o papel da suplementação destas vitaminas em termos de redução de eventos cardiovasculares em médicos do sexo masculino com baixo risco inicial para doença cardiovascular

Métodos e Resultados: Estudo randomizado, duplo-cego, placebo controlado. Foram excluídos pacientes com antecedentes de cirrose hepática, em uso de anticoagulantes ou portadores de alguma outra doença grave que impedisse a participação. O desfecho primário constitui-se de um composto de IAM e AVE não fatais e mortalidade cardiovascular. Foram incluídos 14641 homens maiores de 50 anos (7641 da amostra do estudo PHS I e 7000 novos médicos) e estratificados por idade, diagnóstico pregresso de câncer ou doença cardiovascular e, para os participantes do PHS I, seu tratamento original com beta-caroteno. Dentre os participantes, 5,1% relataram antecedentes de doença cardiovascular (IAM não-fatal ou AVE). Os pacientes foram randomizados para receberam vitamina E (400UI em dias alternados) ou seu placebo, vitamina C (500mg diários) ou seu placebo, beta-caroteno ou seu placebo e finalmente multivitamínico ou seu placebo. A média das idades dos participantes foi de 64,3 anos e o seguimento médio foi de 8 anos. Não houve diferenças significativas nas características clínicas entre os grupos. Os efeitos da suplementação das vitaminas C e E estão expressos na tabela 1

Tabela 1

variavel

Vit E ativa

Placebo E

HR (95%IC)

Vit C ativa

Placebo C

HR (95%IC)

Desf. Primar.

620

625

1,01(0,90-1,13)

619

626

0,99(0,89-1,11)

IAM

240

271

0,90(0,75-1,07)

260

251

1,04(0,87-1,24)

Mort. IAM

22

30

0,75(0,43-1,31)

30

22

1,37(0,79-2,38)

AVE

237

227

1,07(0,89-1,29)

218

246

0,89(0,74-1,07)

AVE h

39

23

1,74(1,04-2,91)

30

32

0,95(0,57-1,56)

Não houve benefício da utilização das vitaminas C e E tanto isoladamente quanto associadas em termos de redução de eventos cardiovasculares. Quando se analisou o subgupo de pacientes que apresentavam história familiar de doença cardiovascular antes dos 60 anos, houve benefício da suplementação da vitamina E quando comparada ao placebo em termos de redução do desfecho primário [HR 0,79 (0,56-1,12); p=0,04]. Houve maiores taxas de AVE hemorrágico nos indivíduos que receberam suplementação de vitamina E (p=0,04). O braço multivitamínico do estudo ainda segue em andamento.

Conclusões: A suplementação das vitaminas C e E não trouxe nenhum tipo de benefício em termos de redução de eventos cardiovasculares neste estudo.

Ponto de Vista: O uso das vitaminas C e E como forma de prevenção primária ou secundária de doença cardiovascular já havia sido testado por diversas vezes sem obter benefícios consistentes, tanto em indivíduos de médio quanto de alto risco ( estudos WACS, ATBC, SUVIMAX, CHAOS, GISSI-PREVENZIONE). No presente estudo, com 94,9% dos indivíduos de baixo risco, esta ausência de benefício foi corroborada, além de ter havido um aumento no risco de AVE hemorrágico de 74% no grupo que recebeu suplementação de vitamina E, constituindo-se um efeito deletério de seu uso, possivelmente por sua atividade anti-agregante plaquetária (Nutr. Rev. 1999; 57(10): 306-309). Creio que ao analisarmos os dados negativos destes estudos randomizados e metanálises prévias, associados aos dados negativos aqui apresentados, concluímos que não há nenhuma indicação de prescrição de suplementação destas vitaminas com o intuito de realizar prevenção primária ou secundária de doença cardiovascular em pacientes cuja dieta possa aportar suas necessidades diárias. Na tentativa de enriquecer nossa discussão, realizamos entrevista com o Professor Dr. Heitor Moreno Jr., livre-docente de Farmacologia da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP

Revisor: Guilherme Ferragut Attizzani

E-mail: gfattizzani@hotmail.com

Veja agora a entrevista do Prof. Dr. Heitor Moreno Jr.

Dr. Heitor MorenoSBHCI Dr. Heitor, sabemos que o stress oxidativo tem papel fundamental na fisiopatologia da doença aterosclerótica. Por que a suplementação de dois potentes e sinérgicos anti-oxidantes não mostrou benefício em termos de redução de eventos cardiovasculares?
Dr. Heitor As vitaminas C e E, assim como o licopeno e outras substâncias de origem natural são potentes anti-oxidantes in vitro. No entanto, ao analisarmos os resultados de sua suplementação in vivo, verificamos que os resultados positivos não são reprodutíveis. Em nosso organismo, há normalmente um pool muito grande destes anti-oxidandes e, exceto em casos de desnutrição grave, não necessitamos de maior aporte exógeno para manter o equilíbrio entre oxidação/redução.


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Última atualização 19.11.2008 , por Websaúde
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