Fechamento de CIV pós-IAM por via percutânea.
Operador: Marcelo Sabedotti, Paulo Machado e João Manica.
Instituição:
Hospital Unimed Nordeste – Caxias do Sul / RS
Histórico Clínico: Paciente masculino, 70
anos, com história prévia de diabetes não insulino dependente,
dislipidemia, hipertensão e cirurgia de revascularização miocárdica
eletiva há dois anos por lesão em tronco de coronária esquerda
sendo implantados um enxerto de artéria mamária interna esquerda
para artéria descendente anterior e ponte de safena para ramo
marginal da circunflexa, apresentou síndrome coronariana aguda
sem supradesnivelamento do segmento ST, de alto risco. O ECG
demonstrava isquemia subepicárdica ínfero-lateral e lateral
alta e os exames laboratoriais troponina T de 0,58 (níveis
normais até 0,03).
Ao exame físico foi auscultado sopro holossistólico com frêmito
em todo o pré-córdio e não observava-se sinais clínicos e
radiológicos de insuficiência cardíaca esquerda. O paciente
apresentava-se estável do ponto de vista hemodinâmico (PA
120x60mmHg e FC 90bpm) sendo encaminhado para estratificação
invasiva precoce.
A cineangiocoronariografia (fig 1,2,3) evidenciou lesão subtotal
de tronco de coronária esquerda, descendente anterior ocluída
proximal (mamária pérvia com enchimento completo da coronária
e primeiro ramo diagonal), circunflexa dominante, primeiro
ramo marginal com lesão subtotal na origem, ponte de safena
para este ramo marginal pérvia e oclusão do último ramo marginal.
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| Figura 1 |
Figura 2 |
Figura 3 |
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| Figura 4 |
Coronária direita com trajeto
curto e fino sem lesões significativas. Ventriculografia em
oblíqua esquerda com inclinação cranial evidenciando comunicação
interventricular no septo inferior e função sistólica do VE
preservada. Pelo risco de uma segunda cirurgia foi optado
por angioplastia com stent farmacológico eluído com zotarolimus
no tronco da coronária esquerda em direção à circunflexa (fig
4), uma vez que a artéria descendente anterior apresentava-se
protegida pelo enxerto de mamária, procedimento o qual obteve-se
sucesso e programado fechamento percutâneo da CIV para o dia
seguinte.
Realizada ecocardiografia
transtorácica que evidenciou CIV no septo muscular na sua
porção inferior com diâmetro de 11mm e pouca repercussão hemodinâmica.
Ventrículo esquerdo aumentado com FE55% e acinesia inferior.
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| Figura 5 |
Figura 6 |
No dia seguinte, quatro
horas antes do fechamento da CIV, o paciente evoluiu com sudorese,
desconforto torácico e hipotensão (PA 70x40 mmHg), melhorando
parcialmente com volume e analgesia. Realizado acompanhamento
com ecocardiograma transtorácico que demonstrou aumento do
diâmetro do defeito de 11mm no dia anterior para 22mm no momento
do procedimento, com bizelamento do defeito e escavação posterior
até o plano da válvula tricúspide. Conforme observado nas
figura 5 e 6 percebe-se desalinhamento do septo na projeção
4 câmaras e fluxo de contraste preferencial para a artéria
pulmonar.
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| Figura 7 |
Figura 8 |
A tentativa de oclusão
percutânea da CIV foi realizada pela técnica habitual, através
de alça artério-venosa com auxílio de corda guia hidrofílica,
da veia femoral direita e da artéria femoral esquerda. Foi
posicionada bainha “Flexor 11F” anterogradamente pelo defeito,
até a aorta ascendente ( fig 7 e 8). Optado por fechamento
da CIV com prótese Amplatzer 24mm, adequadamente posicionada
no defeito, de acordo com o controle ecocardiográfico e angiográfico.
liberada sem intercorrências, com fluxo de contraste residual
apenas através da prótese, com melhora hemodinâmica imediata
do paciente. A utilização de bainha aramada longa foi fundamental
a fim de se permitir migração do dispositivo até o septo interventricular.
Observa-se após liberação
da prótese na ventriculografia esquerda (fig 9, 10 e 11),
fluxo E-D somente através do dispositivo, fenômeno este que
deve apresentar diminuição progressiva. Poderia ter sido realizado
medição com balão “sizing”. Entretanto, o mal estado do paciente
e sua incapacidade hemodinâmica de tolerar manobras através
da válvula tricúspide acabaram por determinar a rápida escolha
e liberação urgente do dispositivo.
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| Figura 9 |
Figura 10 |
Figura 11 |
Após o procedimento o paciente
permaneceu assintomático. Apresentou melhora do quadro hemodinâmico,
tendo alta da unidade de terapia intensiva em três dias e
para casa no quinto dia após o procedimento, em esquema antiplaquetário
duplo.
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