Intervenção Coronária Transradial em Nonagenária com Síndrome Coronária Aguda
Operador: Marden André Tebet, Pedro Beraldo de Andrade e André Labrunie.
Instituição: Santa Casa de Marília/SP
Histórico Clínico: CMJ, 99 anos, sexo feminino, IMC 19 (P=50 kg/A=1,60m), raça branca, com antecedente de hipertensão arterial. Há 2 anos apresentou quadro de síndrome coronária aguda com episódio de edema agudo de pulmão. Devido à paciente ser extremamente ativa e lúcida foi solicitado à realização de coronariografia pelo cardiologista que a acompanhava. O exame foi realizado pelo acesso radial direito (DA: L60% 1/3 px, L80-90% 1/3 m, CX: L80-90% 1/3 med, CD: sem lesões significativas, VE: hipertrófico). Optou-se inicialmente pelo tratamento clínico pela calcificação importante em todo segmento arterial e complexidade do tratamento. Evoluiu agora com sintomas de dispnéia progressiva e necessidade de internação por novo quadro de edema agudo de pulmão. Apresentava associadas, elevação de troponina e alteração eletrocardiográfica em parede anterior. Iniciado tratamento clínico, mas apresentou dois novos episódios de edema agudo de pulmão. Conversado com familiares e pela piora do quadro optou se pela realização de nova coronariografia com intervenção percutânea.
Angiografia: A angiografia foi realizada pela via radial direita com introdutor curto de 6F. 1. Coronária Direita: dominante, sem lesões significativas (figura 1); 2. Ventriculografia Esquerda: hipertrófico, com acinesia apical (figura 2); 3. Circunflexa: calcificada, com lesão de 80-90% em terço médio (figura 3); 4. Descendente Anterior (DA): calcificada com lesão de 80% em terço proximal, lesão segmentar de 90% em terço médio (figura 4 e 5).
 |
 |
 |
| Figura 1 |
Figura 2 |
Figura 3 |
 |
 |
| Figura 4 |
Figura 5 |
Procedimento: Decidido pela intervenção somente em artéria descendente anterior (menor tempo de procedimento e provável artéria culpada). Utilizado acesso transradial direito com introdutor curto 6F. A coronária esquerda foi cateterizada com um cateter guia RunWay® 6F VL 3,5 (Boston). Um guia PT2 MS® (Boston) foi utilizado para cruzar a lesão. Realizado pré-ditalação com balão Maverick® (Boston) 2,0x9mm a 6 atm em lesões no terço proximal e médio de DA (figura 6), observando-se oclusão de DA no controle angiográfico (figura 7). Prosseguiu-se o tratamento com o implante de stent Liberte® (Boston) 2,25x12mm a 12 atm, seguido de pós-dilatação com balão Maverick® (Boston) 2,5x9mm a 14 atm em terço médio (figura 8). Após, foi realizado o implante do segundo stent em terço proximal (stent Liberte® 3,0x12mm a 14 atm) (figura 9), com excelente resultado angiográfico final (figuras 10 e 11). Os tempos de procedimento e fluoroscopia foram, respectivamente, 40 e 10 minutos.
 |
 |
 |
| Figura 6 |
Figura 7 |
Figura 8 |
 |
 |
 |
| Figura 9 |
Figura 10 |
Figura 11 |
Resultados / Conclusões: O paciente evoluiu sem dor, sem alteração eletrocardiográfica e de marcadores. Não houve complicações no sítio de punção e o pulso radial estava presente, apesar de dois procedimentos pelo mesmo acesso. Recebeu alta hospitalar no dia seguinte ao procedimento, encontrando-se assintomática até o seguimento de um mês.
Comentários: Pacientes idosos são menos prováveis de realizarem exames pela técnica radial. As alterações anatômicas vasculares associadas à predominância do sexo feminino e de uma menor área corpórea nesse grupo de pacientes podem ser os responsáveis pela menor utilização. Achenbach e cols. (Catheter Cardiovasc Interv. 2008 Nov 1;72(5):629-35) compararam as duas técnicas em pacientes > 75 anos (TR=152 e TF=155) e encontraram uma alta taxa de sucesso com um maior tempo de exame na técnica radial, mas sem diferenças no tempo de fluoroscopia, número de cateteres e quantidade de contraste. A taxa de complicações maiores (sangramento necessitando de cirurgia ou transfusão, AVC) foi maior no grupo que utilizou a técnica femoral.
Potenciais Conflitos de Interesse: Nenhum.
|