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Revista RBCI Vol. 18 Nº2 Junho/2010 Jornal SBHCI Edição Nº2 Abril-Junho/10

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IAM anterior com oclusão de tronco de coronária esquerda

Operadores: Dr. Rafael Cavalcante Silva, Dr Fabio Sandoli de Brito Jr.

Instituição: Hospital Sao Camilo Santana - Sao Paulo - SP

História clínica: SCS, sexo feminino, 58 anos, com antecedente de LES, DM2, HAS, DLP e ATC com stent farmacológico em óstio de DA há 2 anos. 10 dias antes da admissão suspendeu o uso de AAS e clopidogrel para a realização de polipectomia intestinal endoscópica. 1 dia após esse procedimento, a paciente deu entrada no PS do Hospital São Camilo com queixa de dor precordial típica de 40 minutos de duração, sudorese, mal estar e náusea. Ao exame encotrava-se em MEG, com sinais de baixo débito cardíaco, crepitações em bases pulmonares PA 9x6, FC 100. O ECG mostrava elevação de ST de V1 a V6, DI, AVL e AVR. A paciente então recebeu ataque de 300mg de AAS, 300mg de clopidogrel e foi então encaminhada para o laboratório de hemodinâmica.

Angiografia: Após punção da artéria femoral direita, foi realizada coronariografia que mostrou artéria CD dominante, de grande calibre, com irregularidades parietais (figura 1) e tronco de coronária esquerda ocluído com imagem de trombo (figura 2)

Figura 1
Artéria CD
Figura 2
TCE ocluído

Procedimento: Iniciada a infusão de REOPRO. Usando cateter JL47F foi passado fio-guia 0,014 BMW através do trombo. Realizada trombectomia aspirativa com cateter PRONTO (imagem pós)(figura 3). A paciente evoluiu em choque cardiogênico sendo iniciada a infusão de drogas vasoativas. Após a trombectomia houve reperfusão da artéria Diagonalis. Em seguida foram passados mais 2 fios-guia 0,014” ATW em direção às artérias DA e CX (figura 4). A seguir, foi realizada ATC com balão 3,0 x 15 mm no TCE em direção à DA com reperfusão com sucesso nesta artéria e oclusão da artéria Diagonalis (figuras 5 e 6). Com a DA aberta, foi realizada punção de artéria femoral esquerda e passagem de cateter de balão intra-aórtico (figura 7). Posteriormente procedeu-se à ATC com balão 2,5x15mm em artéria Diagonalis com restabelecimento de fluxo TIMI 3 em DLIS e CX. Realizado então kissing-balloon DA – DLIS com pressões crescentes (figuras 8 e 9). Ao final observamos reperfusão dos três ramos do TCE com bom resultado angiográfico e fluxo TIMI 3 (figuras 10 e 11). A paciente referia ausência total de dor. Mantinha BIA, Noradrenalina 0,7 mcg/kg/min e Dobutamina 5 mcg/kg/min sendo transferida à UTI. O tempo porta-balão foi de 67 minutos.

Figura 3
Pós trombectomia
aspirativa
Figura 4
passagem das 3 cordas-guia
Figura 5
ATC de DA
com balao
Figura 6
Da recanalizada
Figura 7
Passagem de balao
intra-aórtico
 
Figura 8
Kissing balloon
Figura 9
Novo kissing
balloon
Figura 10
Resultado final
Figura 11
Resultado Final
 

Conclusão/Resultado: A paciente foi tratada na UTI com drogas vasoativas e BIA por 2 dias. Evoluiu com melhora do quadro. Apresentou sangramento pelo sítio de punção da femoral direita sendo suspenso o REOPRO e retirado o introdutor da artéria femoral direita. Não apresentou nenhum sangramento digestivo. No 5º. dia o ECO mostrava hipocinesia anterior moderada com FE = 50%. Recebeu alta após 12 dias de internação em uso de AAS, clopidogrel, Sinvastatina, Enalapril e Carvedilol.

Comentários: A trombose muito tardia dos stents farmacológicos é evento raro (0,6% ao ano) mas potencialmente grave. Seu principal preditor é a suspensão do uso da terapia antiplaquetária dupla. A angioplastia primária de tronco da coronária esquerda é pouco comum (0,2% das ATCs). Numa série de casos a mortalidade hospitalar foi de 58%. Nesta série, os pacientes sobreviventes ao evento índice tiveram boa evolução em um ano, com taxa de revascularização de 10% e nenhum caso de óbito no primeiro ano. Outra série de casos mostrou que o único preditor de mortalidade foi o tempo de isquemia (no nosso caso 107 minutos). Acreditamos que o rápido e ágil atendimento no Pronto Socorro, com pronta realização da angioplastia (tempo porta-balão de 67 minutos), associado ao uso de todo o arsenal disponível na cardiologia intervencionista (inibidor IIb/IIIa, balão intra-aórtico, trombectomia aspirativa) foram os responsáveis pelo sucesso do procedimento.

Conflito de interesses: Nenhum.

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Enviado por RAFAEL CAVALCANTE SILVA
04/08/2009 às 09:05
Caros colegas, obrigado pelos comentários. Infelizmente não dispomos dos dados referentes ao procedimento índice. Sem dúvida, eventos relacionados à técnica do implante inicial podem ter contribuído para o desfecho desfavorável dessa paciente. É interessante, em anatomias de alto risco e pacientes com risco aumentado de trombose ou de necessidade de suspensão precoce da terapia antiplaquetária dupla, que seja tentado otimizar ao máximo o implante do stent lançando mão de outras opções como o USIC. Esta tem sido nossa estratégia no São Camilo para casos muito complexos e casos especiais como intervenção em tronco de coronária esquerda não protegido. Com relação a uma possível nova necessidade de polipectomia julgamos importante discutir com o cirurgião a possibilidade de suspensão apenas do clopidogrel e manutenção do AAS, como sugere a diretriz da SBC de avaliação perioperatória (com grau I de recomendação). Outra estratégia que vem sendo estudada e praticada em alguns centros é a suspensão gradual do clopidogrel. De fato, a trombose muito tardia dos stents farmacológicos é evento raro mas acontece, principalmente quando da suspensão da terapia antiplaquetária dupla. Novos avanços na área são necessários para a redução do risco desse evento. Lembro que a padronização do atendimento e organização dos serviços de emergência podem ajudar a reduzir o impacto dessa complicação.
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Enviado por MARCELO LEMOS
02/08/2009 às 21:57
O uso de stents farmacológicos em óstios ainda é uma indicação controversa.Seria interessante neste caso informações sobre o primeiro procedimento, se houve controle ultrassonográfico do mesmo, tipo de stent e resultado.Obviamente se houve trombose tardia é grande a possibilidade de hastes mal apostas ou não protegidas pelo endotélio, e um controle com OCT pode ser indicado nestes pacientes.Finalmente, dado o potencial risco de trombose tardia e a atual falta de metodos confiaveis de monitorização da inibição plaquetaria, devemos ser cautelosos com pacientes com outras doenças associadas, tais como LES, trombocitose primária ou secundaria, etc
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Enviado por MARIA DA CONCEIÇÃO ALVES PINTO
26/07/2009 às 17:32
CAROS COLEGAS RAFAEL E FÁBIO , PARABÉNS PELO CASO APRESENTADO
ACHO QUE O TEMPO PORTA BALÃO E O ARSENAL DISPONÍVEL EM SALA DE HEMODINÂMICA FOI O DIFERENCIAL PARA O SUCESSO DO PROCEDIMENTO. A GRANDE DÚVIDA DOS HEMODINAMICISTAS AINDA É QUANDO PODEMOS INTERROMPER A DUPLA ANTIAGREGAÇÃO COM SEGURANÇA APÓS IMPLANTE DE STENTS FARMACOLÓGICOS QUANDO ESTAMOS DIANTE DE UM PROCEDIMENTO CIRÚRGICO ??? SEM FALAR NAS CIRURGIAS DE URGÊNCIAS !!! POIS O FANTASMA DA TROMBOSE DE STENT FARMACÓLGICO TARDIA EXISTE , É REAL !!!!
UM ABRAÇO , CONCEIÇÃO
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Enviado por TIAGO DI NUCCI
24/07/2009 às 23:06
Prezados Rafael e Fábio,
Parabéns pelo excelente resultado. Como foi comentado, acho que o resultado obtido deve-se a qualidade técnica da equipe e do arsenal disponível (o que infelizmente não é a regra dos serviços).
A trombose muito tardia dos stents farmacológicos pode ocorrer ligada à suspensão da antiagregação plaquetária por motivos médicos comuns, como no caso descrito. Qual foi a orientação da equipe em relação a uma futura polipectomia e utilização dos antiplaquetários?
Um abraço
Tiago Di Nucci
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Última atualização 23.07.2009 , por Websaúde
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