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Revista RBCI Vol. 18 Nº2 Junho/2010 Jornal SBHCI Edição Nº2 Abril-Junho/10

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Casos Clínicos

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Métodos diagnósticos de enfermidade arterial coronária obstrutiva: angiotomografia ou angiografia invasiva?

Operador: Luiz Alberto Mattos  e  Luciano Pessoa

Operador Convidado: Guilherme Attizzani

Instituição: Hospital do Coração – Associação do Sanatório Sírio

Histórico Clínico: Paciente masculino, 60 anos, com antecedentes de hipertensão arterial, dislipidemia,  ex-tabagista (parou há 14 anos) e IAM prévio há 14 anos. Foi submetido a 2 cirurgias de revascularização do miocárdio, sendo a última delas há 7 anos. Faz uso de AAS, Sinvastatina, Losartan e Atenolol. Pratica atividade física regularmente (natação 3 vezes e caminhada 2 vezes semanais) sem sintomas associados. Mantém dieta balanceada, níveis tensionais e de colesterol controlados. Solicitada angiotomografia de coronárias por seu médico tratante como controle rotineiro para avaliação de permeabilidade dos enxertos (classe IIa pelas I Diretrizes Brasileiras de Ressonância e Tomografia Cardiovascular), que mostrou lesão grave em 1/3 distal da ponte de safena Ao-Mg (Figuras 1-4), motivo pelo qual foi solicitada uma cineangiocoronariografia.

Figura 1 Figura 2 Figura 3 Figura 4

Descrição da angiografia arterial coronária:
Ponte de safena Ao-CD:
Pérvia, sem lesões. Leito nativo sem lesões significaticas (Figura 5).

Enxerto livre de mamária direita-DA: Pérvio, sem lesões. DA nativa exibe oclusão total em seu 1/3 distal (Figura 6).

Figura 5 Figura 6

Ponte de safena Ao-Mg: Ectásica, exibe lesão de 30-40% em seu 1/3 distal. Leito nativo isento de ateromatose significativa (Figuras 7-9)

Figura 7 Figura 8 Figura 9

Evolução: Dado o resultado da angiografia, optamos por não tratar a lesão e dar alta ao paciente com orientação de manter medicações e práticas habituais de atividade física. Segue assintomático

Comentários: Apesar de tratar-se de um exame não invasivo, a dose efetiva de radiação média em um tomógrafo de 64 colunas de detectores é de 6,9 a 11,1 mSv, representando em torno de 4 a 5 vezes mais que uma angiografia invasiva convencional (2,1 mSv para homens e 2,5 mSv para mulheres). Recente estudo conduzido em população norte-americana (N Engl J Med. 2009; 361:849-857) mostrou que os exames tomográficos são responsáveis por 75,4% dos efeitos cumulativos da radiação e que 81,8% dos indivíduos submetidos a eles, o fizeram em caráter ambulatorial. Adicionalmente, ressaltou que aproximadamente 20% dos pacientes estudados receberam ao longo de um ano, doses moderadas de radiação (>3 a 20mSv). Na avaliação de indivíduos sintomáticos com suspeita de doença arterial coronária, utilizando-se tomógrafos de 64 colunas de detectores, observou-se boa acurácia, contudo, os valores preditivos positivos foram de 91% e os negativos de 83%, levando os autores a concluirem que este método de imagem não deve substituir, de modo rotineiro, a angiografia invasiva (N Engl J Med. 2008;359:2324-36). Portanto, embora a angiotomografia de coronárias tenha apresentado evolução  pujante nos últimos anos,  com a introdução de aparelhos de 64 e mais recentemente de 256 e 320 colunas de detectores, reduzindo o tempo de apnéia, diminuindo a quantidade de radiação e melhorando a capacidade de avaliação dos segmentos estudados, devemos ter em mente que a angiografia invasiva segue sendo o método padrão-ouro no diagnóstico da enfermidade arterial coronária obstrutiva. Deste modo, é mandatório  sermos cautelosos ao optarmos por um dos métodos diagnósticos, calculando a probabilidade do paciente efetivamente apresentar doença arterial coronária obstrutiva através de escores de risco, bem como avaliar criteriosamente os sintomas relatados, a fim de evitar exposições exacerbadas à radiação, bem como à sobrecarga de contraste iodado.

Conflitos de Interesse: Não há

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Enviado por GUILHERME FERRAGUT ATTIZZANI
09/09/2009 às 14:49
Prezado Fernando concordo que em um indivíduo assintomático, que faz atividade física regularmente, poderia ter sido realizada uma prova funcional como a cintilografia do miocárdio, poupando o paciente de exposição à radiação e ao contraste iodado, sabidamente nefrotóxico. Lembro contudo, que este paciente nos procurou já com a angiotomografia realizada (solicitada por seu médico tratante) e dado ao resultado de possível lesão grave no enxerto Ao-Mg, optamos pela cineangiocoronariografia. Finalmente, gostaria de ressaltar que antes de realizarmos a angiografia invasiva, nos certificamos que o paciente mantinha preservada sua função renal.

Um abraço

Guilherme Attizzani
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Enviado por FERNANDO TAVARES
04/09/2009 às 23:26
Acho que a indicação da Angiotomografia não tinha menor indicação em um paciente assintomático do ponto de vista cardiológico,pois,dç coronária o paciente sabidamente já era portador e a conduta correta seria a realização de uma Cintilorafia de esforço para a pesquisa de isquemia silenciosa. Foi feito uma exposição a radiação sem nescessidade.
Vide o resultado do cateterismo(lesão de 30%) na ponte de safena para ramo MGE
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Última atualização 27.08.2009 , por Websaúde
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