|
SBHCI e a segurança tardia dos stents
farmacológicos
São Paulo, 18 de setembro de 2006.
A
apresentação recente do seguimento clínico tardio
de pacientes submetidos à intervenção coronária
percutânea com implante de stents farmacológicos (American
College of Cardiology 55th Annual Scientific Sessions Atlanta, GA, Estados
Unidos, Março 2006 e World Congress of Cardiology 2006, Barcelona,
Espanha, Setembro 2006) promoveu apreensão e discussão acerca
da segurança tardia quando da aplicação destes dispositivos
percutâneos.
Consideramos os seguintes aspectos muito pertinentes:
- Os stents farmacológicos foram incorporados para aplicação
na prática clínica desde 2002, e, no momento, no Brasil,
seis modelos distintos estão disponíveis para utilização
rotineira, regulamentados por meio da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA) (www.anvisa.gov.br).
No mundo, mais de dois milhões de pacientes já foram submetidos
à intervenção coronária percutânea
com implante destes stents.
- Os fatos: o seguimento tardio (de 18 meses até três anos
após o implante do stent farmacológico) de estudo controlado
planejado para analisar o custo-efetividade do implante de stents eluídos
com rapamicina e paclitaxel (BASKET-LATE) associado aos resultados de
revisão sistemática Suíça (Camenzind e cols),
evidenciou, nestas séries, um discreto aumento da mortalidade
nos pacientes submetidos ao implante desta modalidade de stent coronário.
- Análise tardia dos resultados de outros registros internacionais
e nacionais aplicados em pacientes na prática clinica diária
com estes dispositivos e novos estudos fisiopatológicos são
fundamentais e muito necessários para a obtenção
de conclusões mais robustas sobre estes resultados.
- Uma justificativa potencial para a discreta elevação
da mortalidade cardíaca no decorrer da evolução
clínica tardia deste pacientes seria a ocorrência de maiores
taxas de trombose tardia dos stents farmacológicos (passados
os 30 primeiros dias do implante). No entanto, ainda não existem
fundamentos e evidências definitivas que forneçam subsídios
para a formalização de um parecer conclusivo sobre esta
ocorrência.
- Uma suposta associação da elevação da
taxas de mortalidade de motivação não-cardíaca
carece ainda mais de fundamentos consistentes.
- Uma abrangente análise do espectro deste problema na prática
clínica diária faz-se necessária, sendo que a discussão
deve ser baseada exclusivamente em evidências científicas.
- A SBHCI segue vigilante no acompanhamento destes resultados e dos
seus relatos clínicos, sempre com o objetivo de oferecer respaldo
científico para nossos sócios, profissionais da saúde,
público em geral e pacientes submetidos às mais diversas
intervenções percutâneas cardiovasculares no Brasil.
- Julgamos que a discussão é relevante, mas não
existem evidências suficientes que promovam a contra-indicação
para a utilização deste método e que também
gerem grave apreensão, seja nos médicos, como em seus
pacientes, visto que as taxas de eventos demonstradas nas análises
iniciais são muito baixas (0,6% ao ano).
- Recomendamos atenção às indicações
de uso destes dispositivos e sua farmacologia adjunta
- Outras agências internacionais, como a Food and Drug Administration-FDA
(http://www.fda.gov/cdrh/news/091406.html)
também estão observando com atenção os resultados
obtidos com estes stents. O posicionamento frente a estes fatos, a exemplo
do nosso, é de monitoria constante dos resultados tardios.
- A devida transparência e publicidade serão amplamente
efetivadas frente à evidência de novas informações
e pareceres consistentes.
Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista-SBHCI
Dr. Luiz Alberto Piva e Mattos
Presidente
Dr. Pedro Alves Lemos Neto
Presidente da Comissão Científica SBHCI 2006-2008
|