Reparo mitral transcateter em pacientes com regurgitação mitral funcional moderada sintomática: desfechos em 1 ano do estudo MiCLASP.
SBHCI
15 de ago.
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Título Inglês
Transcatheter mitral repair in patients with symptomatic moderate functional mitral regurgitation: 1-year outcomes from the MiCLASP study.
Referência
Lurz P, et al. Transcatheter mitral repair in patients with symptomatic moderate functional mitral regurgitation: 1-year outcomes from the MiCLASP study. EuroIntervention. 2025;21:e858–e868. DOI: 10.4244/EIJ-D-25-00031.
Autor
Philipp Lurz et al.
Revisor
Thiago Marinho
Fundamentos
As diretrizes atuais não recomendam o reparo transcateter borda-a-borda mitral (M‑TEER) rotineiramente para regurgitação mitral funcional (RMF) moderada; contudo, o impacto do reparo transcateter em pacientes sintomáticos com RMF moderada não está bem documentado. O estudo MiCLASP avalia resultados com o sistema PASCAL em um registro pós‑mercado.
Objetivos
Avaliar redução de insuficiência mitral, eventos adversos e desfechos clínicos/qualidade de vida até 1 ano em pacientes sintomáticos com RMF moderada (2+) comparados a pacientes com RMF ≥3+ tratados com o sistema PASCAL.
Métodos
Estudo pós‑mercado, prospectivo, multicêntrico (MiCLASP). Total de 544 pacientes incluídos (entre os quais 322 com RMF). Os pacientes foram estratificados por gravidade basal (RMF 2+ vs ≥3+). Avaliação por laboratório ecocardiográfico central, com desfechos clínicos adjudicados por comitê. Follow‑up até 1 ano; desfechos: grau de RM, eventos adversos maiores (MAE), classe functional NYHA, qualidade de vida pelo KCCQ, hospitalizações por IC.
Resultados
- População: 544 pacientes (RMF= 322; Degenrativa = 163; outros/mistos = 59). Entre os pacientes com RMF: 101 tinham RMF 2+, 197 tinham RMF ≥3+ (havia também 24 com RMF 1+ ou não avaliáveis).- Redução de RM: após 1 ano, 89,8% dos pacientes com RMF 2+ atingiram MR ≤1+, versus 77,8% no grupo RMF ≥3+. Redução estatisticamente significativa em ambos os grupos.- Melhora funcional / qualidade de vida: NYHA I–II com 1 ano — 67,1% (RMF 2+) e 70,1% (RMF ≥3+). KCCQ: aumento médio de +13,9 pontos em ambos os grupos.- Eventos e sobrevida: Sobrevida com 1 ano: 90,0% (RMF 2+) e 84,2% (RMF ≥3+). MAE composto em 1 ano: 13,9% (RMF 2+) vs 18,3% (RMF ≥3+). Taxa de MAE aos 30 dias baixa e similar (4,0% vs 4,1%). SLDA (single‑leaflet device attachment) ≈ 1% em 30 dias.- Hospitalizações por IC: redução de hospitalizações por IC de 60,6% (RMF 2+) e 64,1% (RMF ≥3+) em relação ao ano pré‑procedimento.
Conclusões
Em centros que usaram o sistema PASCAL no registro MiCLASP, pacientes sintomáticos com RMF moderada (2+) apresentaram redução durável da regurgitação mitral, melhora sintomática e ganho em qualidade de vida comparáveis aos pacientes com RMF ≥3+ ao 1 ano. Esses dados sugerem que, em pacientes selecionados sintomáticos, M‑TEER com PASCAL pode ser benéfico mesmo em casos de FMR moderada.
Opinião do editor
A análise dos resultados dos pacientes com regurgitação mitral funcional (RMF) moderada submetidos a M-TEER no estudo MiCLASP mostra achados encorajadores, com melhora ecocardiográfica, ganho em qualidade de vida, redução de internações e de eventos adversos maiores, muito semelhantes aos observados em pacientes com RMF moderada-importante e importante. Entretanto, vale ressaltar que se trata de um estudo não randomizado, sem braço controle com terapia medicamentosa padronizada para comparação. Dessa forma, considero que este estudo pode e deve ser incluído nas discussões de casos de RMF pelo Heart Team das instituições, mas não deve, isoladamente, fundamentar mudanças na prática clínica ou decisões terapêuticas.
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